segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mucocele sublingual ou rânula

        
A mucocele salivar é um acúmulo de saliva que vazou de uma das glândulas salivares ou de um ducto salivar. Esse acúmulo se dá na região da face, o local varia dependendo da glândula envolvida. Quando utilizamos o termo mucocele sublingual estamos nos referindo à saída de saliva da glândula que se localiza em baixo da lingua chamada sublingual. Não se definiu exatamente a razão do aparecimento deste problema, mas sabe-se que o uso de enforcadores pode levar a lesões no local que predisponham à mucocele. Isto pode ocorrer pelo trauma em algumas das glândulas salivares por uma tração forte,  levando à ruptura da estrutura e vazamento.
Logo que a saliva se acumula no local, inicia-se um processo inflamatório, levando a inchaço e dor moderada. Quando a boca do cão é aberta verificamos um aumento de volume embaixo da língua, com vermelhidão e certo desconforto. O diagnóstico é realizado através do exame clínico e história do paciente. Não é um problema que gere alterações gerais na saúde do cão, mas deve-se observar se o paciente continua a se alimentar e beber água normalmente.
O tratamento da mucocele sublingual é geralmente cirúrgico logo que diagnosticado. Na cirurgia é realizada a retirada da glândula sublingual e também a marsupialização. Este último termo refere-se a uma abertura na região inchada embaixo da língua, a fim de promover a drenagem do restante. Tal abertura cicatriza rapidamente não gerando complicações ou desconforto ao cão.
Mesmo após o procedimento cirúrgico e retirada da glândula sublingual, o animal continua tendo capacidade de umedecer o alimento. Esta é uma preocupação muito comum  pertinente nestes casos. A alimentação continua sendo realizada com facilidade pela presença de outras glândulas salivares que suprem a necessidade de produção salivar.
No pós-operatório oferecemos alimentos moles por 3 a 5 dias, antibióticos e antiinflamatórios. Esse período é suficiente para promover a cicatrização praticamente total do local. Geralmente os animais se recuperam muito bem da cirurgia e retornam à vida normal. Raramente verificamos complicações após a cirurgia e o prognóstico é excelente.

Imagem evidencia o acúmulo de saliva na região sublingual

domingo, 3 de abril de 2011

Hérnia Umbilical


A hérnia umbilical ocorre através do anel inguinal (umbigo) com a protusão de conteúdo abdominal. A causa é raramente conhecida, mas se sabe que muitos machos que são criptorquidas (condição do macho na qual uma dos testículos não desce ao escroto ficando retido na cavidade abdominal ou subcutâneo inguinal) apresentam herniação umbilical. Durante a formação do embrião e do feto pelo anel umbilical passam vasos sanguíneos e outros anexos responsáveis pela manutenção do feto. Logo após o nascimento a abertura se contrai e fecha, originando a cicatriz umbilical. A maioria dos animais que manifestam tal condição é jovem. É um problema comumente visto em bebês braquicefálicos (bulldogs, pugs, shih-tzus), já que apresentam uma pressão intrabdominal maior que outras raças pela maior dificuldade em expirar.
Caso ocorra estrangulamento de alguma víscera abdominal no interior da hérnia, o cão pode apresentar vômitos, dor abdominal, ausência de apetite, entre outros. O diagnóstico do problema se dá com exame clinico do paciente. Caso o veterinário ache necessário pode-se solicitar ecografia local a fim de definir o conteúdo herniário. O tratamento da hérnia umbilical é a redução cirúrgica da mesma. Durante o exame se deve definir a necessidade de urgência ou não na cirurgia, caso ocorra muita dificuldade ou impossibilidade na redução da hérnia (manobra que permite recolocação das vísceras/tecidos ao abdômen) indica-se realização do procedimento o quanto antes. Caso as vísceras retornem ao interior do abdômen facilmente, sem sinais de comprometimento local, a cirurgia pode ser programada mais tranqüilamente.
Não é aconselhado que fêmeas que apresentem hérnia umbilical emprenhem antes de resolverem o problema. Isso porque pode ocorrer a ampliação da hérnia durante a gestação e risco de comprometimento dos bebês e da mãe.
O prognóstico da cirurgia e recuperação cirúrgica é excelente, geralmente quando o pós-operatório é realizado de forma adequada. Exige alguns dias de repouso, medicações e cuidados com os pontos.


Imagem de hérnia umbilical pequena


Giardíase



A giardíase é uma infecção intestinal bastante comum que acomete os cães. Talvez a doença intestinal mais vista na rotina clínica. A giardia é um microorganismo que chamamos protozoário (não é bacteria nem vírus), infecta o intestino delgado interferindo na absorção de nutrientes pela mucosa e pode produzir diarréia. O cão adquire esta patologia pela ingestão de água ou alimentos contaminados com os cistos da giardia. Os cães jovens são as principais vítimas, no entanto animais de todas as idades podem se contaminar e manifestar os sintomas.
Muitas vezes o paciente tem a doença e não apresenta sinais clínicos, mas em outros casos pode pode apresentar diarréia abundante, presença de muco nas fezes e raias de sangue. Geralmente o animal defeca e no final sai uma quantia de uma gelatina transparente (o muco) e raias de sangue em volta. Também temos relatos de fezes semelhantes a “água de arroz”, assim como animais que perdem peso. Muitas vezes a manifestação dos sintomas é intermitente, em outras a apresentação da diarréia é contínua. Esta variação se deve às infecções oportunistas que se instalam simultaneamente à gíardiase. Como sabemos, a flora intestinal é composta por inúmeras bactérias benéficas à saude, no entanto se ocorrerem alterações no equilíbrio local (pH, disponibilidade de nutrientes, presença de sangue), estas podem se multiplicar descontroladamente. Geralmente os animais não apresentam febre, continuam comendo bem e brincando. Em casos mais sérios ou de infecções crônicas, o animal fica prostrado e pode apresentar inclusive vômitos.
O diagnótico é realizado pelo exame clínico, histórico do animal e exame de fezes. Exames fecais negativos não excluem a presença de giardíase, já que muitas vezes na amostra coletada não há presença de cistos da giardia. O tratamento é realizado com medicações que eliminam o protozoário, geralmente o animal recupera-se totalmente. O prognóstico da doença é excelente se tratado adequadamente.
A prevenção da giardíase pode ser feita pelo uso de água mineral e cuidados higiênicos na alimentação. Também temos a opção da vacinação contra a giardia, em geral a maioria dos bulls que vem ao consultório são aconselhados a vacinar. Alguns animais têm uma suscetibilidade bem grande a recorrentes infecções (por exemplo a cada 30-60 dias), nestes casos a vacinação é praticamente obrigatória. Para animais que passeam no parque, viajam para praia ou sítio, muitas vezes fica bastante díficil o controle da ingestão de água e demais coisas que estão pelo chão. Assim a vacinação traz uma certa tranquilidade e segurança à saúde do bull.

Aspecto da Giardia, vista ao microscópio


Esquema da contaminação pela Giardia


Aspecto das fezes de um cão com giardíase

EXPECTATIVA DE VIDA DOS BULLDOGS


Na rotina da clínica é muito comum sermos perguntados sobre o tempo de vida médio do bulldog. Sabemos que inúmeras são as fontes com as mais variadas informações, alguns alegam ser 8 anos enquanto outros defendem 12-13 anos. Pela experiência verificamos que ao longo dos anos os bulldogs estão vivendo mais tempo e com mais qualidade. Há alguns anos não disponibilizávamos de tantos exames diagnósticos quanto hoje, assim como as medicações e os tratamentos evoluíram bastante. O conhecimento da raça também vem crescendo muito, o que auxilia na identificação de patologias e escolha de tratamentos adequados. A maioria dos bulls atualmente passa por exames periódicos, já fez ao longo da vida check-up cardíaco e tem o olhar atendo dos donos para qualquer alteração. Na clínica verificamos inúmeros animais acima dos 10 anos de idade, inclusive recentemente nossas três pacientes mais velhinhas (duas bulls com 12 anos e uma com 13 anos) passaram por procedimentos cirúrgicos e se saíram muito bem tanto na cirurgia quanto na recuperação. Pela prática podemos referir que a expectativa média dos bulls atualmente está por volta dos 10-11 anos. Esse número varia de acordo com o clima da região que o animal vive, com os tipos de cuidados que recebe, com a exposição e manifestação de doenças e com inúmeros fatores próprios de cada bulldog.
Sabemos que o bulldog é um cão todo especial, então devemos ter inúmeros cuidados para garantir uma vida longa. Abaixo listo algumas dicas pra prolongar a vida do bull e deixá-lo sempre saudável:
1.       Controle de peso: o bulldog é um cão naturalmente gordinho pela estrutura óssea, tamanho e quantia de rugas. No entanto, devemos atentar bastante ao excesso de peso. Este pode trazer problemas cardíacos, respiratórios e esqueléticos, assim reduzindo a expectativa de vida do cão;
2.       Alimentação de qualidade: oferecer rações de alta qualidade como as super premium,  e evitar comida caseira ou alimentos que contenham sal, temperos ou gorduras.
3.       Check-up periódico: combinar com o veterinário revisões periódicas da saúde do Bull, isso inclui exames de sangue, cardíacos, entre outros. Indicamos que tais revisões iniciem no máximo após 1 ano de idade;
4.       Cuidados com o calor: o bulldog é muito sensível ao calor e umidade, assim sempre proporcionar ambientes agradáveis com água e gelo disponíveis. Se for passear com o cão, escolher os horários mais frescos do dia.
5.       Vacinação em dia.
Amigos, essa fofura é a Anne, uma bull de quase 13 anos!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Resgate de Bulldog

Este bulldog inglês foi resgatado do canil de zoonoses. Foi encontrado pelos funcionários do canil na rua abandonado. Chegamos até ele através de uma amiga que comentou na clínica que um bull havia sido encontrado e encaminhado à zoonose, na mesma hora contatamos o canil e providenciamos o seu resgate. Chegou à clinica em péssimo estado corporal, muito magro, repleto de ectoparasitas (pulgas, carrapatos, miíases), olhos totalmente fechados por secreção. Providenciamos a higiene, consulta, coleta de exames, fluidoterapia e aplicação de medicações. A extensão da miíase era de assustar, atingia as rugas da face, palato (céu-da-boca) e se extendia por dentro das narinas. Depois dos primeiros dias de tratamento ele continua lutando contra alguns problemas, mas está mais gordinho (ele come muuuito!) e feliz da vida. O exame de sangue dele acusou algumas alterações como a 'doença do carrapato', e por isso está sendo monitorado e medicado diariamente.
Equipe de resgate: eu, Sueli Camargo, Patricia Machado e Patricia Pires. Muuuuito obrigada!!!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cirurgias na clínica Saude Animal & Bull Fashion




Olho cereja


A bulldoguinha da foto é a Sophia, ela apresentou prolapso da glandula da III pálpebra. Também chamamos de cherry eye ou olho cereja. Num primeiro momento, ela foi operada em outra clínica para realizar o sepultamento da glândula, ou seja, reposicionamento glandular. Muitas vezes após o reposicionamento a glândula retorna a prolapsar (sair) e foi isso que ocorreu. Ao chegar para a consulta verificamos que a glândula não apresentava mais condições para ser reposionada, assim optamos pela exerese (retirada cirurgica). Antes da cirurgia foram realizados exames pré-operatórios. A cirurgia foi um sucesso e a Sophia se recupera bem.
Na foto ela aparece com a Pati no consultório.